You have enemies? Good. That means you’ve stood up for something,sometime in your life. - Winston Churchill
domingo, 8 de janeiro de 2012
Andamos distraídos ou fazem de propósito para nos distrair?
domingo, 25 de dezembro de 2011
Da globalização ao euro: o fim do “sonho europeu”?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Deveras
«Vangloriem-se as gentes do que quiserem, coragem ou erudição, inteligência ou espírito, êxito junto das mulheres, riqueza ou nobreza; quanto a nós, concluiremos que é justamente nesse capítulo que lhes falta qualquer coisa; aquele que possui realmente e em absoluto uma qualidade nem sequer pensa em alardeá-la ou presumi-la; está completamente tranquilo no que toca a esse assunto.»
A. Schopenhauer, in «Aforismos»
O que é a verdade? É uma questão que tem evidente ressonância bíblica e à qual os evangelhos não dão uma resposta pronta e literal. Pelo contrário, quando Pilatos interroga Jesus nesse sentido - «Quid est Veritas?» -, Jesus responde-lhe com o mais absoluto silêncio, um silêncio enorme, imenso, completo, que vem atravessando os séculos.
Naturalmente que não é das grandes questões metafísicas que se vai pretender tratar aqui. Antes das pequenas verdades quotidianas, feitas e esculpidas pelo Homem, e à escala humana, as quais se revelam, normalmente, meras verosimilhanças ou, por vezes, a mais trivial das mentiras.
Pois tal como se educa uma criança dizendo-lhe que não deve meter o dedo no nariz, também se lhe ensina que não deve mentir. Diz-se, calmamente, que, tanto uma coisa como a outra, são coisas feias de se ver e piores de se fazer. Então a criança compreende que, por limpar o nariz com o dedo, terá de limpar o dedo de seguida, talvez nos calções, que, depois, terão de ser limpos também. Enfim, todo um processo fastidioso, um pouco sujo (para não dizer “ranhoso”), evitável pelo bom uso de lenços de papel. Ora, analogamente, sucede com o acto de mentir. Basta dar a perceber à criança que a verdade, embora à primeira vista possa não o parecer, é sempre mais simples, bonita e, até, vantajosa do que a mentira. De facto, uma vez chegada à idade adulta, constatará pela conduta de certas pessoas que, quando foram pequenas, do tamanho dela, lhes ensinaram injustamente o oposto: que bom e vantajoso era mentir. O que, a seu tempo, acarretará, para essas mesmas pessoas, consequências normalmente penosas e muito pouco vantajosas: com efeito «nunca ninguém enganou toda a gente o tempo todo».
Em suma, aprender a assoar o nariz e a assoar a mentira, logo de pequenino, contribui bastante (a par dos outros grandes desafios da vida) para a edificação de uma sociedade mais próspera, decente e evoluída.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Destino, acaso ou coincidência?
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
AUTO DA BARCA
Foi notícia na semana passada que o governo da Venezuela desistiu de comprar ao estado português um ferryboat produzido nos estaleiros navais de Viana do Castelo.
Dobraram os sinos, a pátria chorou.
De facto, exactamente há um ano, o governo daquele país, na pessoa do seu presidente Hugo Chávez, passou algumas horas às compras em Portugal na companhia do então primeiro-ministro português, José Sócrates. E um dos objectos do seu interesse comprador foi justamente o ferryboat que agora não quer comprar.
Na altura, o Sr. Chávez - logo após descer do carro que o próprio conduziu festivamente desde o aeroporto Sá Carneiro até aos estaleiros navais de Viana - depressa trepou ao convés da embarcação e dali à cabine produzindo com alegria uma promessa de compra que sinalizou com um buzinão. Contudo, pouco depois, já em terra firme, admitiu aos jornalistas que a razão da sua passagem por Portugal se resumia essencialmente a um gesto de solidariedade para com «o amigo» Sócrates, que atravessava um momento político difícil, não obstante se tratar, em seu entender, de «un buen hombre» e de «mui buena persona».
Passado um ano, ninguém poderá acusar o Eng. Sócrates de ser ainda primeiro-ministro de Portugal. Como talvez ninguém suspeite que possa ter deixado de ser, desde então, uma excelente pessoa. Pelo contrário, tudo levará a crer que a promessa de compra-e-venda de ferryboats ao estado português por parte do governo venezuelano se deveu menos à generosidade petrolífera do Sr. Chávez do que ao sincero reconhecimento das inequívocas virtudes de carácter do Eng. Sócrates.
Por conseguinte, resta concluir que ao actual governo venezuelano não parece bem celebrar negócios jurídicos com os adversários dos seus amigos; em especial com aqueles que venceram amigos seus através de eleições livres.E, nesse âmbito, estarão com certeza o governo venezuelano e o presidente daquela república ao abrigo do seu mais pleno direito: o direito à moda deles.
(Publicado no jornal «O Primeiro de Janeiro», em 22. 11)
domingo, 20 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O testamento vital grego
domingo, 6 de novembro de 2011
Viagens na minha terra
Assim, constituído ministro de concelho, decide levar a cabo a sua primeira iniciativa política, de cariz monetarista: dirige-se a um banco e pede um empréstimo para comprar um carro; o que, de resto, lhe é concedido. Ora a aquisição do carro (imagine-se um belo carro), ainda que por esse método, impressiona bastante a simpática povoação que o viu nascer, e que passa a considerá-lo uma personalidade realmente impressionante.
De seguida, a troco de alguns secretos favores e de algumas garrafas de vinho, assume uma segunda medida política, agora de pendor social: arranja emprego ao filho de um sujeito incrivelmente obtuso e tragicamente insolvente (também por isso bastante popular no povoado) - como seu "adjunto".
O rapaz passa então da preguiça dos cafés e dos bares para os afãs de secretário, de assessor, de pau mandado... Em abono da verdade, ninguém ali sabe ao certo o que o rapaz é; e, menos ainda, o que o rapaz faz. Diz-se, até, maldosamente, que nem ele próprio sabe.
Mas, enfim, esqueçamos este diabo e voltemos ao encontro do outro, que, agora, no mais íntimo da sua soberba, sente que vingou décadas de miséria pessoal e familiar. Em sua justiça considera-se mesmo um ás! E na churrascaria que ainda frequenta, os empregados e o dono são exactamente dessa opinião.
Já na assembleia municipal - nessa prodigiosa fábrica de talentos políticos que é uma assembleia municipal - as opiniões nem sempre são consensuais.
Na ordem do dia discute-se, ao estilo de uma bela zaragata do Minho, a construção de uma infraestrutura desportiva, ou qualquer coisa parecida com isso, porque ali parece fazer muita falta a construção de uma infraestrutura desportiva ou de qualquer coisa que com isso se pareça.
O nosso personagem, vê-se, definitivamente, no seu elemento: e manifesta-se fervorosamente a favor da ideia da obra pública; do desporto em geral; do plano director municipal; dos regulamentos; da legalidade; da Constituição; da União Europeia... Do diabo a quatro! Tudo num discurso que parece que roça e esbarra com a mais lúgubre das bebedeiras... E, para reforço da sua posição, convoca duas linhas desse grande democrata que foi Maquiavel!... Linhas que, num dos seus regulares momentos de ócio, descortinou na tradução brasileira do wikiquote!, e depressa copiou para o iphone, como sendo seu emblema e divisa.
Faz-se silêncio na sala. Melhor dizendo: fica tudo rigorosamente aparvalhado. Ainda mais do que é costume. E perante o olhar lorpa daquela gente, o homem explica que acabava de invocar "um sábio"! "estrangeiro"!...
Os demais presentes, por alguns segundos, cofiam sombriamente os queixos e as cabeças e, por fim, alguém manda que se redija também aquilo «em acta», «para que conste», e prossegue-se responsavelmente com «a ordem de trabalhos».
(Publicado na «Revista do Advogado» de Novembro de 2011)
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
O Legado
A casa e os terrenos adjacentes tinham sido pertença de um burro que atravessara a fronteira vindo de Espanha e que, passado algum tempo, contraía ali matrimónio com uma senhora portuguesa - falecendo num dos três dias subsequentes às núpcias, de causa inexplicável. O certo é que Dª Antónia, a viúva, após o sucesso desta fatalidade, imediatamente assumiu, por direito próprio, a gestão e a propriedade da quinta, não voltou a casar e viveu um século.
II)
Não era ainda o meio século.
III)
Soube-se legatário de um edifício medieval que originalmente havia sido um seminário, adquirido e transformado em casa de lavoura, no último quartel do Séc. XIX, por um brasileiro que ali enterrara a sua pequena fortuna. Este homem não só pagou uma soma avultadíssima pela compra como mandou derrubar e levantar a seu gosto muros e paredes durante uma década. Acabou transmitindo por venda a propriedade a um forasteiro que lhe desposou a filha única.
(Publicado na coluna «O homem que era Quarta-Feira» de «O Primeiro de Janeiro», em 02. 11. 2011)
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Poema da Ortografia
Poema da ortografia
HÁ ou À como é que escrevo?
Oh que grande problema!
Nunca sei fazê-lo bem,
Fico sempre num dilema.
Se quero dizer que EXISTE,
Sei que escrevo com Hagá:
HÁ bolachas e HÁ biscoitos
Esta não me faz gagá!
HÁ barulho! HÁ silêncio!
HÁ peixinho bem fresquinho!
HÁ pessoas na estrada.
HÁ castanhas e bom vinho!
A dificuldade aumenta
Se quero falar de tempo:
HÁ muitos dias atrás?
Ou À muitos dias? Tormento!!
Ora até esta questão
É bem fácil de explicar
Sempre que contarmos ‘tempo’
O hagá vai abancar:
HÁ quinze dias atrás;
Há dois meses, pois então!
HÁ anos! Há pouco tempo!
Bem ‘farcinho’, não é não?
E agora vem aí
Outra dúvida a valer:
O HÁ já eu sei escrever,
Então a outra? Posso saber?
O À com acento grave
Acompanha o feminino
Pois ele é preposição
Mais artigo definido.
Se eu puder trocar o À
Pela expressão «A UMA»
Então já posso dizer:
-Não tenho dúvida alguma!:
Vou À praia (A UMA praia);
À pergunta ele fugiu.
À menina respondi!
«A UMA» também surgiu.
Outro teste eficaz
Para saber distinguir,
É usar o MASCULINO
Numa frase a seguir:
Dei À mãe ou dei AO pai;
Vou À Festa ou AO cinema;
ÀS terças ou AOS feriados;
Deixa assim de ser problema.
E, agora, finalmente,
ÀS ou ÁS que confusão!
ÀS é plural de À;
ÁS é de campeão!
Só uso o Ás com as copas,
Com paus, espadas e ouros
Ou para dizer a alguém
És um Ás, mereces louros!
Espero que tenha ajudado
Toda a gente a perceber
Não HÁ coisa mais bonita
Do que o saber escrever!
Paula Castelo Branco